Presidente Nyusi defende reconfiguração da arquitectura institucional do multilateralismo

Data: 12/12/2019

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu hoje, em Nairobi, Quénia, a reconfiguração e democratização da arquitectura institucional do multilateralismo e, em particular, dos órgãos das Nações Unidas e das instituições de Bretton Woods, de modo a responder a realidade geopolítica actual.

Neste contexto, segundo Nyusi, Moçambique dá enfase especial ao papel e lugar de África na economia e política mundiais e o seu direito de acesso a variedade de opções de desenvolvimento que o multilateralismo oferece.

O Chefe de Estado moçambicano defendeu o facto no discurso que proferiu numa das sessões de trabalho da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo do Grupo África, Caraíbas e Pacífico (ACP), que decorre desde hoje até terça-feira, na capital queniana.

Na ocasião, falou sobre o fenómeno de migrações com que o mundo se depara actualmente, sobretudo de África para o velho continente, que, segundo o estadista moçambicano, “suscitam várias reacções, interpretações e leituras com vista a sua solução, com base na sua visão simplista que descura a complexidade da realidade a elas subjacentes”.

“Defendemos a criação de condições locais para que haja oportunidades para os africanos, em África, através de investimentos e actividades económicas geradoras de emprego digno, sobretudo para jovens”, afirmou.

Para o Presidente Nyusi, estes esforços passam pela prevalência de condições para a paz, segurança e estabilidade, e que pressupõe, igualmente, o respeito pelos direitos soberanos e o dever das Nações Unidas de sancionar, após a devida ponderação, qualquer intervenção num país soberano.

No seu discurso, Nyusi reafirmou o compromisso de Moçambique de continuar a contribuir para uma ACP “robusta, mais forte e de impacto positivo na promoção do desenvolvimento do nosso país e dos países irmãos de África, Caraíbas e Pacífico”.

Referindo-se especificamente ao Grupo ACP, Nyusi disse que os Estados-membros devem desencorajar os discursos unilateralistas que se aproveitam dos desafios da nova ordem mundial e das incertezas para esvaziar o papel e o lugar das instituições de governação global.

Desta forma, segundo o estadista moçambicano, “sairemos do ciclo vicioso do passado e suas narrativas para uma fase de visionárias lideranças africanas, geradoras de grandes transformações que se pretendem no continente, alicerçadas em cada forma de cooperação como é o Grupo ACP”.

Lembrou que durante os 44 anos da existência do Grupo ACP, o cenário estratégico mundial que deu origem a esse grupo de países evoluiu rapidamente, exigindo uma grande capacidade de resposta, adaptação, e sobretudo de reafirmação.

A cimeira decorre sob o lema “Um ACP transformado: comprometido com o multilateralismo”, e foi precedida por uma série de reuniões ministeriais preparatórias.

Para além dos Chefes de Estado e de Governo do Grupo ACP, participam parceiros da União Europeia, das Nações Unidas, entre outros.