“Moçambique está entre os mais vulneráveis aos desastres naturais” – PR

Data: 06/04/2021
 
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Maputo, 06 de Abril de 2021 – O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, disse hoje que a África, em geral, e Moçambique, em particular, estão entre os mais vulneráveis aos desastres naturais, notando que os eventos climáticos extremos que ontem eram raros, actualmente são cada vez mais frequentes e intensos.

O Chefe do Estado falava hoje durante o Diálogo Virtual de Alto Nível sobre as Emergências COVID-19 e Mudanças Climáticas em Africa, que visava uma discussão sobre as melhores formas de conjugar a resposta à emergência da Covid-19, a resiliência e a adaptação às mudanças climáticas.

“Sofremos seca prolongada, calor intenso, cheias, e inundações, ciclones e outros factores associados, como a subida do nível das águas do mar, intrusão salina e queimadas, resultando em prejuízos, entre perdas de milhares de vidas humanas, infra-estruturas públicas e privadas como unidades sanitárias, escolas, estradas, pontes, redes de transporte de energia e residências”, disse o estadista moçambicano.

Segundo o Presidente Nyusi, os ciclones IDAI e Kenneth são exemplo claro dos eventos extremos, pois os dois ciclones, só em Moçambique, causaram 689 mortes e impactos negativos equivalentes a mais de (3) três biliões de dólares americanos.  Na época corrente, Moçambique foi novamente atingido por três ciclones tropicais, o Chalane, Eloise e Gwambe.

“Estamos num paradoxo em que por um lado, assiste-se à redução de financiamentos nacionais e internacionais para os programas favoráveis à resiliência e adaptação às mudanças climáticas, com outras determinantes sociais e económicas a agravar, ainda mais, a situação, revertendo os anteriores ganhos no financiamento ao desenvolvimento”, disse o Presidente da República. 

Sobre a pandemia da COVID-19, o Chefe do Estado afirmou que a mesma veio a agravar, ainda mais, o impacto negativo no desempenho da economia, dando exemplo do turismo que já era vulnerável aos desastres naturais que destroem instâncias e diminuem as entradas de turistas, que é o sector mais atingido, concorrendo para a redução do Produto Interno Bruto e atraso no alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

“É imperioso que com urgência se reverta o actual cenário, aumentando o volume de financiamentos para intervenções de adaptação, resiliência climática e recuperação da economia e da vida pós-COVID-19 de modo a voltar aos carris nos nossos objectivos de desenvolvimento, a médio e longo prazos”, disse o Presidente Nyusi. 

Ainda neste diálogo virtual, o Chefe do Estado informou que Moçambique adoptou a Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas até ao ano 2025, que estabelece directrizes de acção para criar resiliência, reduzir os riscos climáticos nas comunidades e na economia nacional, bem como promover o desenvolvimento com baixo carbono e a economia verde, através da sua integração no processo de planificação sectorial e local.

“O acesso universal a energias limpas, sustentáveis e de qualidade é um dos requisitos para o desenvolvimento dos povos de África, por isso somos por mais apoio para se maximizar as tecnologias de transição energética e o enorme potencial das energias renováveis, abundantes no continente”, disse o Presidente da República.