“Combate ao terrorismo: Apoio de países amigos está a capacitar as FDS” - PR

Data: 30/09/2021
 
PR Nyusi em Cabo Delgado com homólogo do Ruanda

Maputo, 30 de Setembro de 2021 - O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, diz que o apoio que Moçambique tem estado a receber no combate ao terrorismo está, em simultâneo, a capacitar as Forças de Defesa e Segurança (FDS).

“Neste momento que recebemos apoio, estamos, em simultâneo, a capacitar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) para poderem fazer face as fases posteriores de combate ao terrorismo”, disse o Presidente Nyusi, falando na cidade de Pemba, em conferencia de imprensa conjunta, alusiva à visita do homólogo do Ruanda, Paul Kagame, para participar como convidado de honra nas a celebração do 25 de Setembro, dia das FADM.

Segundo o Presidente Nyusi, que assim se pronunciou lado a lado com o homólogo ruandês, Paul Kagame, “se a casa do vizinho está a arder juntos podemos extinguir o fogo e criar condições para que não haja mais fogo, no futuro”.

O Presidente Nyusi disse ainda que o terrorismo no mundo progride como se fosse o novo coronavírus. “Muda de forma. Acredito que o terrorismo comporta-se desta maneira”.

Questionado sobre os desafios que o país enfrenta no combate ao terrorismo, o Chefe do Estado respondeu que “em Moçambique nunca tínhamos estado perante uma guerra contra o terrorismo. É um fenómeno novo, para nós”.

Sobre quem convidou Ruanda para ajudar a combater o terrorismo, o Presidente Nyusi respondeu que “foi Moçambique”.

“Eu, pessoalmente, em muitas ocasiões, interagi com o Presidente Kagame e outros estadistas. Com base em experiência, prontidão, e relacionamento, achamos que estávamos prontos para trabalhar com Ruanda”, disse o Presidente da República, ajuntando que “Ruanda já teve missões similares em diferentes momentos”.

Fora isso, segundo o estadista moçambicano, os dois países atravessam uma fase de relacionamento óptimo, no âmbito do desenvolvimento, no geral.

“As interacções que temos tido ao longo dos tempos ajudaram que houvesse prontidão do Ruanda para ajudar Moçambique. Não precisamos de meninos de recados. Falamos directamente. É o que fizemos”, referiu o Presidente da República.

Por sua vez, o Presidente Kagame disse que há os que pensam que o Ruanda tenha sido convidado para ajudar a combater o terrorismo pela multinacional francesa, Total, ou pela França. “Na verdade, eles são nossos amigos, mas o problema é de Moçambique. É um desafio de Moçambique. Desafio que Moçambique está a enfrentar. Por isso foram os moçambicanos que nos convidaram, e vamos continuar a trabalhar juntos”.

“O Ruanda está a fazer a sua modesta contribuição”, referiu Paul Kagame.

Entretanto, o Presidente Nyusi, considerou, num outro desenvolvimento, ser relativo dizer que o país levou muito tempo a pedir ajuda.

Nyusi explicou que o primeiro ataque surgiu em 2017, numa altura em que “já liamos sinais, a partir de 2012, sinais estranhos no nosso país, sobretudo na zona de Mocímboa da Praia, e nessa altura já havia prospecção de recursos naturais”.

“Isso exigiu, da nossa parte, uma ponderação e inteligência para perceber o fenómeno. Se nesse momento tivéssemos dito venha Zimbabwe, Egipto, França, … caiamos numa situação de dizer venham sem sabermos o que esses países viriam fazer”, disse.

Disse que quando em 2017 surge a clareza de que eram ataques, havia muitos nomes tais como insurgência, até se chegar a conclusão de que se tratava de terrorismo.

De acordo com o governante, chegou-se a acreditar que o problema podia ser resolvido dentro do país, sobretudo usando o diálogo. “Estávamos a tentar perceber se a nossa arma ainda funcionava, o diálogo”.

Para o Presidente da República, chegou-se numa outra fase em que não era só pedir ajuda. “Os países precisam de perceber para onde vão, o que vão fazer, e o que era preciso fazer”.

“Isso leva tempo. Nós sentimos uma pressão interna e externa sobre o que devia ser feito”, referiu.

No seu entender, não são só africanos que dão a informação de como é que o inimigo [terrorismo] age e qual é a sua perspectiva. “Não foi tarde [pedir ajuda], foi uma decisão oportuna. Tínhamos que tomar a medida em momento certo, e não em momento de dúvida. Senão estaríamos a cometer um erro fatal”.