MAPUTO, 27 DE JANEIRO DE 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reafirmou esta terça-feira, na cidade de Xai-Xai, capital da Província de Gaza, que o Governo continua empenhado em salvar vidas, no contexto das cheias e inundações que se registam em Moçambique, com particular incidência nas regiões Sul e Centro.

Avaliar os danos provocados pelas cheias e inundações e acelerar a reposição das ligações e serviços essenciais integra, igualmente, as prioridades das acções governamentais em curso, num quadro em que se destaca a solidariedade nacional e internacional como decisiva para minimizar perdas humanas.

O Chefe do Estado falava na abertura da segunda sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada naquela província no quadro do trabalho governamental de avaliação, in loco, da situação em Gaza e na Cidade e Província de Maputo, agendada para hoje e manhã.

Na sua intervenção, o Presidente Chapo reiterou agradecimentos a vários segmentos da sociedade pelo apoio prestado durante o período crítico. “Quero reiterar os meus agradecimentos a todos os moçambicanos pelo nível de solidariedade interna que demonstraram durante este período de cheias e inundações”, disse, destacando os sectores público e privado, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e a comunicação social.

O Chefe do Estado atribuiu especial relevância ao papel dos órgãos de comunicação social, tanto no salvamento de vidas como na mobilização de apoios, frisando que “se não fosse o vosso trabalho excelente de mostrar ao País, ao continente e ao mundo a situação em que nos encontrávamos, não teríamos conseguido mobilizar todo o apoio que conseguimos e minimizar o máximo possível o número de pessoas que perderam a vida”.

“É nossa tarefa, é nossa responsabilidade, como Estado e como Governo, salvar pessoas”, enfatizou o Presidente Chapo, explicando que, após o sobrevoo à província de Gaza (no dia 17 do mês em curso), foram mobilizados meios aéreos, aquáticos e terrestres para retirar populações para locais seguros.

O Presidente da República ajuntou que a realização do Conselho de Ministros em Xai-Xai visa, igualmente, facilitar o processo de avaliação da assistência prestada nos centros de acomodação, incluindo saúde, saneamento, alimentação e condições de alojamento, destacando o esforço preventivo para evitar doenças hídricas.

“E estamos a fazer isto numa única missão, em máxima coordenação e de forma sistémica”, sublinhou, para, de seguida, elogiar o sector da saúde pelo trabalho desenvolvido para prevenir surtos de diarreias, cólera, malária e outras patologias associadas.

Abordando a situação da Estrada Nacional Número Um (EN1), o Chefe do Estado informou que o Governo está a trabalhar para restabelecer a ligação o mais rapidamente possível, enquanto decorrem soluções alternativas. “Estamos a fazer uma ponte aérea através do Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, onde estamos a fazer cinco voos diários a preços extremamente bonificados, mesmo de emergência, de quatro mil meticais ir e vir, ou seja, Maputo-Xai-Xai e Xai-Xai-Maputo”.

O estadista anunciou, igualmente, o reforço das ligações marítima e ferroviária como medidas transitórias. “Estamos a fazer também uma ligação marítima a partir de hoje, de Maputo até à doca de Chongoene, onde vamos trazer víveres para a população”, ao mesmo tempo que decorre um sistema de transporte intermodal enquanto prosseguem as obras na EN1.

Relativamente às intervenções na principal via do País, revelou avanços significativos, assegurando que “daqui a sensivelmente duas semanas vamos restabelecer a ligação na Estrada Nacional Número 1, que é a maior questão de desenvolvimento do nosso País”, sublinhando que os trabalhos só poderão ser plenamente avaliados após a descida das águas.

Por fim, o Chefe do Estado enquadrou as cheias no contexto das mudanças climáticas, alertando que estas são uma realidade em todo o planeta Terra, e apelou à preparação contínua para evitar mortes, destacando a resiliência da população. “O povo moçambicano é resiliente”, afirmou, assegurando que, ultrapassada a fase crítica, o Governo vai apoiar o regresso gradual das populações afectadas às comunidades, a retoma da produção agrícola e a reconstrução da vida socioeconómica nas zonas afectadas.

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