“O exercício da democracia não pode significar dividir a sociedade”

Data: 22/05/2017

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, afirmou, durante uma mesa redonda com as Organizações Não Governamentais (ONG’s) holandesas, que o exercício da democracia não pode significar dividir a sociedade, apelando-as para investirem mais na educação.

Ainda na componente educação, o estadista moçambicano disse existir um défice no conhecimento do que é Sociedade Civil. “Há vezes em que a Sociedade Civil se confunde com a oposição ao governo. Queremos que se dê espaço à Sociedade Civil para que se expresse com transparência sobre a vida mas sem desenvolver acções que desencorajem os avanços alcançados”.

Reconheceu o papel da Holanda na promoção da transparência e boa governação, explicando que “podemos desenhar boas políticas mas se não houver boas práticas de governação e transparência não podemos atingir os objectivos de desenvolvimento harmonioso que almejamos”.
O Presidente pediu ainda maior coordenação das ONG’s para evitar a sobreposição de projectos nas mesmas zonas, porque isso “aumenta assimetrias e complica ainda mais a vida porque as populações pensam que há zonas privilegiadas em detrimento de outras”.
“Como políticos somos vistos como estando a não desempenhar devidamente o papel de ajudar as populações”, afirmou.
Segundo o Presidente, o governo holandês tem privilegiado a cooperação em áreas vitais e gostaria que as ONG’s complementassem esse esforço como por exemplo no desenvolvimento rural e segurança alimentar.

Na área económica, o Presidente falou dos constrangimentos que o país vive depois de ter conhecido anos de crescimento económico assinalável. Nos últimos dois anos, a economia moçambicana regista um abrandamento devido a vários factores, incluindo a crise financeira internacional, queda de preço dos principais produtos de exportação e suspensão da ajuda directa ao orçamento do Estado.
“Estamos a fazer tudo para que a inflação desça de 25 para 15 por cento, e o PIB cresça de 3,6 para 5,5 por cento, este ano. Estamos, juntamente com organizações monetárias internacionais a traçar medidas para a correcção dos erros cometidos para se devolver a confiança a nível da parceria internacional”, sublinhou.