“A ciência, quando desenquadrada dos fins sociais, económicos e culturais da comunidade, pode gerar entraves ao desenvolvimento”
O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, disse hoje, no acto da graduação de estudantes da Universidade Nachingwea (UNA), que a ciência, quando desenquadrada dos fins sociais, económicos e culturais da comunidade, pode gerar entraves ao desenvolvimento.
“Com isso queremos dizer que a ciência, a técnica e a tecnologia só têm valor quando colocados ao benefício do consumidor, do cidadão. O conhecimento adquirido deve ajudar a transformar os recursos que a natureza oferece em riquezas para o benefício da sociedade”, afirmou o Chefe do Estado.
Dirigindo-se especificamente aos graduados, o Presidente Nyusi disse que tendo em conta os impactos da globalização no domínio da empregabilidade, ao entrarem no mercado de trabalho saibam que estarão a competir com todos os profissionais formados em todo o território nacional, nos países da região e no mundo inteiro.
“Por isso, no mercado pensem globalmente, mas actuem localmente. Só assim, estarão em condições de ombrearem com quadros formados em outras instituições do ensino superior, incluindo os estrangeiros”, afirmou.
Aos Licenciados em Administração Pública que graduaram por aquela Universidade, o Chefe do Estado disse que o País espera que contribuam para o melhoramento dos sistemas de Organização, Planificação, Direcção e Controle das instituições. Para o estadista, a sociedade espera que eles contribuam para a melhoria da gestão e administração da coisa pública, de modo a servirem cada vez melhor o cidadão e a disseminar a cultura de trabalho e responsabilidade no seio dos Funcionários.
“Um País não se desenvolve com pacotes de reivindicações, acusações e com recurso à violência nem comentando o trabalho dos que trabalham e dos que já produzem. O graduado da UNA deve fazer diferença”, aconselhou o Presidente da República.
Aos Economistas, quadros que actualmente contribuem na garantia da viabilidade de toda a actividade económica, o Chefe do Estado aconselhou a compreender e estudar os processos capazes de promover o desenvolvimento sustentável do País; aos licenciados em Direito, para o Presidente Nyusi, os moçambicanos esperam por uma justiça que os identifique, que os sirva e defenda os seus interesses, enquanto que aos Agrónomos, o Chefe do Estado disse que o País não está a espera de mais homens para aumentarem a fila dos que procuram emprego, mas espera por jovens proactivos que tendo a terra e o conhecimento científico, usem-nos para trabalhar e produzir riqueza.
“A sociedade e vossos parentes depositam em vocês grandes esperanças de que irão contribuir na resolução varias preocupações que apoquentam a sociedade. Foi pensando nisso que, apesar das dificuldades, se sacrificaram para conseguirem manter-vos na faculdade durante os cerca de quatros anos da vossa formação”, afirmou o Presidente Nyusi.
Para além disso, o Chefe do Estado comunicou que o Governo projecta que até 2020, Moçambique tenha “um ensino superior em expansão, com equilíbrio e qualidade, guiando-se pelo princípio da democraticidade, desenvolvendo actividades produtoras de conhecimento e que seja objecto de reconhecimento nacional e internacional.”
“Sendo este o primeiro produto, será importante que a direcção da UNA faça o acompanhamento do enquadramento socioprofissional dos graduados, para aferirem o nível de aceitabilidade no mercado. No processo de acompanhamento, a UNA terá a possibilidade de efectuar os reajustes necessários na formação de estudantes, visando o constante melhoramento do produto desta Universidade”, advertiu.
Em jeito de analogia, o Chefe do Estado afirmou que as escrituras sagradas advertem que não existe árvore boa produzindo mau fruto, nem uma árvore má produzindo bom fruto. Cada árvore é conhecida pelos seus próprios frutos. “Esta é a expectativa dos moçambicanos e do mundo com a colheita dos primeiros frutos da UNA. Daqui, estes frutos vão ao crivo do mercado socioprofissional. É no mercado onde a sociedade irá avaliar a qualidade da UNA a partir dos seus frutos ou seja a partir dos seus graduados. Se forem bons frutos serão absorvidos pelo mercado e pela sociedade”, retorquiu o Presidente da República.