PR desafia sector privado a reduzir importações

Data: 16/03/2019
 
CTA

Maputo, 16 de Março de 2019 - O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, encoraja ao empresariado privado moçambicano a explorar os recursos naturais e humanos que o país dispõe para reduzir a importação de alimentos e matérias-primas para abastecer a indústria alimentar nacional.

A economia nacional está a enfrentar dificuldades decorrentes da conjuntura internacional, assim como da retirada do apoio dos doadores ao Orçamento Geral do Estado, embora comece a mostrar sinais de estabilização de transição para uma nova fase que se prevê próspera. Tais sinais resultam das reformas adoptadas pelo governo para a estabilização macroeconómica.

O actual estado da economia preocupa o governo e é caracterizado por níveis de produção e produtividade ainda aquém do desejado, o que se reflecte na balança comercial, dominada por mais importações e menos exportações, e pressão sobre as divisas.

Intervindo na abertura oficial da XVI Conferência Anual do Sector Privado (CASP), hoje, em Maputo, Nyusi disse ser inconcebível que Moçambique passe por tal situação, sendo um país dotado de excelentes condições agro-ecológicas para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável.

“Não precisamos de muitas concessões para podermos agir. O melhor antídoto é aumentar os níveis de produção. E quem pode contribuir, grandemente, para o aumento da produção e produtividade é o sector privado. Temos terra e fontes de água. Temos, no nosso país, gente trabalhadora, o capital humano empreendedor e presente”, indicou.

O empresariado nacional importa arroz, carnes vermelhas, frangos, ovos, tomate, cebola, alface, batata-reno, entre vários outros bens, em detrimento de terras aráveis existentes em Chokwe, Mopeia, Chipembe, Moamba, Tsangano, Unango, Matutuine, Malema, Magude, Sussundenga, Chimoio e em mais regiões do país.

O Chefe do Estado desafia, por isso, aos empresários a mudarem da forma de pensar e passarem a virar as atenções aos ao aumento da produção e produtividade e aos constrangimentos ao nível de cadeia de valor, em particular relacionados com a produtividade, comercialização e o agro processamento. E vincou que muitos desses projectos estão ao alcance do sector privado.

O sector privado reconhece a agricultura como uma prioridade nacional, mas quer ver implementados incentivos e tratamento preferencial de longo prazo para este sector, tal como acontece a muitos países que hoje são os maiores exportadores de alimentos para Moçambique.

 Uma das prioridades apontadas pelos empresários é a reposição do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), reduzido a 10 por cento, para tornar o sector mais atractivo para o investimento.

“É por isso que priorizamos a apresentação e discussão de projectos sobre a agricultura e o agronegócio na CASP […] ontem realizada. Fizemo-lo não apenas como um imperativo constitucional que coloca a agricultura como base do desenvolvimento, mas, sobretudo, por reconhecermos o potencial existente nas nossas pequenas e médias empresas, que deve ser espevitado com os necessários investimentos”, disse o Presidente da CTA, Agostinho Vuma.